"Em algum momento de nossas vidas descobrimos que não somos quem pensávamos ser."
Adote isto como quiser, porque você pode descobrir coisas que poderiam decepcionar ou orgulhar seu eu do passado.
Pode ser que se surpreenda ao descobrir que é algo totalmente diferente do que você pensou ser.
Pode ser que você seja mais ou menos do que você vê hoje.
Mas para falar a verdade esta é nada mais que uma frase para um garotinho que passará por muita coisa ruim em uma única noite. É como se a realidade explodisse em sua cara e ele fosse jogado a anos luz de distância em um buraco negro que o levaria pelos caminhos das sombras que existem através da luz, para no fim alcançar seja lá o que o destino tenha reservado para o filho do rei infernal e a princesa do sol negro.
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A história de nosso pequeno começa muito antes de ele nascer, em uma noite gélida e perturbada por leves tremores e clarões de relampagos e trovões abafados.
Nesta noite, algo que mudaria o destino de toda a vida existente. Todas as famílias puderam ver uma batalha sendo travada nos céus de Midgard. Não nitidamente, mas sim como se o céu estrelado fosse uma cortina negra com estrelas, e a batalha ocorresse atrás dela.
Todas as pessoas, em todas as partes do mundo podiam ver claramente nos céus aquele combate voraz entre uma criatura humanoide que parecia ter cabeças sem fim, e um pequenino feixe de raios que o chicotiava incessante, e velozmente com raios luminosos. Mas não se ouvia rugidos de dor nem nada do tipo, apenas relampagos sem que o céu tenha nuvens, sons abafados de trovões e de vez em quando explosões quando a criatura lançava um raio vermelho no feixe de luz.
Quando o feixe pareceu perder energia, oscilando em sua luminosidade, algumas nuvens cúmulos surgiram magicamente e meio que penetraram no céu para dentro da batalha e ocorreu algo inacreditável.
A noite virou um dia dourado.
Todos ficaram cegos por um instante e tudo pareceu nem ter acontecido, o céu voltou ao normal e todos ficaram atônitos. A batalha havia sido encerrada com um barulho muito estranho, como se uma árvore estivesse sendo derrubata e ao mesmo tempo quebrada ao meio. Ninguém entendeu nada. Mas ficou óbvio que algo grande havia acontecido. Mas não se falou mais nisso por um bom tempo.
Em tempos difíceis, deuses travarem batalhas publicamente não era novidade.
De fato algo grande havia acontecido, logo-logo você saberá oque.
Agora começa a parte em que nosso herói miserável irá nascer. Por maior que seja a impossibilidade de seus pais se encontrarem.
No coração de Svartalfheim, o mundo dos elfos negros, anões e outros seres tratados como subterrâneos, no Palácio do Luar Eterno, a moradia do imperador de toda a Svartalfheim, uma das ramificações da grande arvore de freixo Yggdrasil, que suporta todas as nove dimensões nórdicas em seus galhos, vive naturalmente, como se não fosse a ponta de um galho da árvore mundo. Os povos dos mundos nórdicos utilizam estas ramificações como meio de transporte para viajarem entre os 9 mundos. Mas é claro que não existe uma única árvore em cada mundo, a que está no Palácio do Luar Eterno só era a mais bela e enorme, bem no centro de Svartalfheim.Mas naquela noite, em específico, ninguém imaginou que um invasor inesperado fosse aparecer com um exército bem no meio do salão de Yggdrasil.
Não é como se você pudesse escolher qualquer lugar para onde vai quando se teletransporta pelos portais.
Se você vai para um lugar como um palácio real deve mandar um pedido pelo mensageiro de Yggdrasil, o esquilo veloz, Ratatosk, um esquilo divino veloz o suficiente para competir com a própria luz. Caso contrário você será impedido de passar pelas árvores de seu destino e voltará a seu lugar de partida.
Os sons de relampagos que Yggdrasil emite ao trazer ou levar alguém reverbaram por todo o palácio que antes se encontrava silencioso.
E nos aposentos reais, o barulho não era mais baixo.
- Querido... Esta acordado? Esta ouvindo isso? - Dizia a bela imperatriz, agitando assustada, suas longas orelhas de elfa.Seu marido e imperador já estava de olhos e ouvidos bem apostos quando ela percebeu.
- Fique aqui.
Assim que o disse, o Imperador apanhou seu arco e uma flecha, tão grandes quanto ele mesmo, e os mantinha pendurados acima de sua cama, beijou sua esposa e somente com a túnica que ia da cintura para baixo, atravessou descalço o chão frio do extenso aposento abrindo as portas como se já esperasse o seus quatro guardas do lado de fora para acompanhá-lo, porém o som da batalha já se ouvia vindo do salão de Yggdrasil.
Atravessando o corredor com dois de seus guardas indo a sua frente, ele fervia de raiva e curiosidade com o invasor insolente.
Atravessando a entrada do salão a primeira coisa que se viu foram vários guerreiros caídos e um guerreiro equipado com uma armadura negra adornada com diamantes vermelhos e um elmo com uma crina de aço, adornado por rubis vermelhos carmesim e diamantes ao redor dos olhos, com uma pelugem pendendo da parte de trás da crina laminada. Ele estava segurando no ar pela garganta um elfo de longos cabelos brancos e pele de marfim que usava uma armadura negra agora manchada de sangue que jorrava de dois orifícios largos que atravessavam seu abdômen. A segunda, eram os espectros esqueléticos e de olhos opacos trajando armaduras semelhantes a dele com crina de aço também. Porém sem adorno algum.
Atravessando sua mente, agora vinha a tona um ódio quase visível em uma aura negra que o imperador exalava.
- Que o senhor deste palácio se apresente! - Gritou o guerreiro com uma voz sombria, apontando um bidente encharcado com o sangue de vários de seus guardas para o imperador cujo os olhos que antes eram de um azul relâmpago, agora oscilava em todas as cores do fogo das tochas do salão.
O invasor pareceu se assustar quando a chama de todas as tochas se ascenderam até o teto e desceram velozmente na direção do imperador, parecendo serem absorvidas por seus olhos.
A ultima coisa que pôde-se perceber foi o imperador curvando-se para o chão pelo que pareceu ser dor pura, e colocando as mãos em seus olhos, como se isso fosse diminuir esta dor.
Até que todo o salão se viu na mais completa escuridão por conta das tochas terem se apagado. Não se via um palmo em frente a seu nariz.
E então lentamente dois feixes de uma luz flamejante vermelha foram aparecendo timidamente para logo depois se perceber que nada mais eram que os olhos do imperador de Svartalfheim queimando em brasas carmesim. Apenas seus olhos iluminavam boa parte do local.
- Pois bem... Aqui estou!
Atravessando seus olhos, todo o ódio de um imperador desafiado agora estava liberto.
Ele urrou e atacou logo se transformando em um turbilhão de sombras com duas linhas vermelhas se destacando em meio às trevas. Com seu urro ecoando por todo o castelo.
Ele voou na direção dos espectros como um raio negro. Atravessando a todos, ele desintegrou um-por-um até não sobrar nenhum sequer. O que não se esperava era que o guerreiro adornado fosse virar outro turbilhão de sombras com leves faíscas douradas que escapavam. O choque do impacto dessas duas forças iluminou todo o lugar com uma expulsão de pura energia. Aquele tufo de pura trevas voou desgovernado pelo salão até atingir o teto do palácio, que não ficava a menos de vinte metros de altura, lançando os destroços ao chão. Lá eles se materialisaram novamente e o invasor lançou o imperador meteoricamente para o chão. Por sorte, o mesmo, esperto como um gato, caiu de pé já disparando sua longa flexa para o alto assim como seus olhos, ela deixava um rastro luminoso avermelhado, acertando em cheio e atravessando o ombro do guerreiro da crina de aço por completo, que caiu afundando parte do piso devido a altura da queda junto a uma explosão de chamas verdes lançandas para todos os cantos do salão acendendo novamente as tochas. Em seguida, de seu ombro respingou pelo chão um líquido fumegante, reluzente e... dourado.Naquele instante o imperador soube que não estava lidando com um oponente comum. Primeiro porque aquele sangue não era comum, segundo, aquela queda devia ter esmagado ele, terceiro, porque ele havia entrado em sua sombra, e quarto, agora levantando o rosto com um semblante sombrio, os olhos do guerreiro sintilavam um dourado vibrante, emanando brasas igualmente douradas a medida que ele se movia, que gelou a alma do imperador. Ou melhor dizendo quase incinerou.
- O que é você? - Disse o imperador assombrado. Lentamente o guerreiro levantou sem tirar os olhos do imperador um instante sequer, e andando lentamente ele disse. - Seu carrasco.Em seguida ele lançou seu bidente, que com a bifurcação acertou a garganta do imperador, lançando - o até a parede atrás de si e o prendendo. Nesse instante os olhos do imperador voltaram ao seu azul relâmpago de sempre. Apenas deixando um rastro de sangue agora perceptivel em seu rosto que descia até seu queixo.
- Você ousa plantar aquela coisa nos campos de meu castelo... - Ele tinha uma voz jovem, mas mal terminou sua frase e a escolta do imperador que até agora estava sem reação pela batalha repentina atacaram como um só. Então com um só movimento de dedo, chamas esverdeadas brotaram do chão incinerando a todos, preenchendo o ressente silêncio do castelo com gritos escruciantes.
Olhando aquela cena o imperador se perguntava do que o invasor se referia com "plantar aquela coisa".
- Como eu dizia. - Continuou ele se voltando para o imperador. - Eu não sei qual é seu objetivo com aquilo, nem como conseguiu fazer aquilo. Mas antes de levar sua alma eu gostaria que me...
- Papai!
Neste exato instante, uma linda elfa de longos, ondulados e esvoaçantes cabelos brancos e olhos tão azuis quanto os do imperador, invade o salão correndo através das cinzas e corpos dilacerados até o imperador.
- Heilige, fuja! - Exclamou o imperador com um claro pavor em sua expressão. Mas a garota não o obedeceu e foi até ele, tentando tirar o bidente que apertava sua garganta contra a parede.
- Minha filha, por tudo que é mais sagrado fuja, eu cuido dele, por favor vai! - O imperador empurrou a princesa fazendo com que ela tropeça-se e caísse no chão.
O guerreiro ficou curioso em saber mais sobre a bela elfa negra, e a olhava fixamente, tanto que se descuidou por tempo suficiente para o imperador reagir.
Com um chute no cabo do bidente ele o quebrou e com um segundo chute, o lançou em direção ao rosto do guerreiro. A centímetros do alvo a lança improvisada se incinera no ar em chamas verdes, se tornando uma leve brisa ominosa. E o guerreiro não parava de encarar a princesa.
- Fique longe dela seu animal! - Gritou o imperador furioso.
Neste instante a princesa se voltou para o guerreiro com um olhar desafiador.
- Se quiser me levar leve. - Disse a princesa com uma voz decidida e se levantando imponente.
- Não! - Exclamava o imperador.
- Mas prometa me levar e nunca mais pisar neste solo.
- Heilige, não!
- Você tem bastante coragem garota. O que me impede de levá -la agora mesmo e depois retornar para destruir este reino? - Disse o guerreiro com seus olhos dourados em brasa fixos em Heilige.
- Seria mesmo tão bárbaro a este ponto, é verdade.- O tom desafiador da jovem Heilige sequer oscilava.
- Heilige, ouça seu imperador. - disse chamando a atenção da filha. - Vá embora. Não é possível negociar com este homem. Ele está aqui por algum motivo errôneo.
A princesa voltou seu olhar para o guerreiro, desta vez,um olhar mais ameno. Talvez na esperança de dissuadi-lo de atacar, já que segundo seu pai, ele não tinha motivos para tal ato.
- Ouça guerreiro.
- Heilige! - gritava o imperador temendo por sua filha.
- Me diga, por que ataca o castelo do imperador Drakonisch? Por qual motivo você veio a Svartalfheim?
-Heilige, desista ele não...
- Seu querido pai esta tentando invadir meu reino.
- Meu pai disse que você está enganado.
- Esta árvore apareceu no meu reino a alguns dias. E se eu pude vir aqui através dela, o que impede de seu rei invadir meu reino da mesma forma?
Heilige olhou para seu pai com uma expressão tanto assustada quanto surpresa.- Você disse... Que ela nasceu a poucos dias?
- Impossível. Arranje um pretexto melhor antes de atacar meu império! - Não era que Drakonisch não acreditasse, ele não queria acreditar. A idéia de um décimo mundo com seres a esse nível absurdo de poder era assustadora demais. Já não bastava o primeiro mundo, Argard, com seus deuses Aesires.
- Não dei permissão para você falar, mortal. - Diz o guerreiro apontando para o Imperador Drakonisch, fazendo as pontas do bidente apertarem mais sua garganta contra a parede. Isto começou a sufocá-lo um pouco.
- Por favor, não machuque ele! -Clamou a princesa sabendo que o guerreiro faria quase tudo que ela pedisse, já que aquela altura já se podia deduzir o quanto Heilige havia chamado a atenção do invasor que aparentemente, tinha uma informação quase que inacreditável. Mas Heilige não contava com a audácia do guerreiro.
- E o que eu ganho em troca por não machucá-lo?
-Disse ele permitindo que o bidente se afrouxase. Aquilo pegou tanto Heilige quanto o imperador Drakonisch desprevenidos. Heilige não esperava este pedido tão cedo e Drakonisch não esperava sequer um pedido. Não daquele barbado egocêntrico. Porque era oque ele aparentava ser com aquela armadura negra toda encrostada com jóias. Pai e filha se entreolharam e leram as mentes um do outro. (Filha não...) Pensou Drakonisch. (Me perdoe pai...)O guerreiro, de olhos fechados repousa as duas mãos em seu capacete, uma de cada lado e lentamente o retira, deixando agora cair em seus ombros seus cabelos negros e ondulados, e ao abrir os olhos estavam tão negros quanto uma noite sem estrelas. Seu nariz era levemente curvado, um charme, pele pálida, olheiras um tanto profundas, e uma aparência jovial. Segurando o capacete em uma mão ele o faz desaparecer em um feixe de chamas verdes e segue lentamente em direção a pai e filha, que ainda se entreolhavam quase como uma despedida. Se surpreenderam quando o guerreiro agora com uma expressão mais amena se aproximou deles. O imperador se surpreendeu por ele ser tão jovem. Era um garoto que não passava dos 25 anos, e já tinha tanto poder quanto ele, se não mais. Já Heilige, por mais que não admitisse para si mesma, se sentiu atraída pelos traços exóticos daquele rosto inexpressivo e aqueles olhos que se mostravam tão serenos e ao mesmo tempo tão tempestuosos. Ela repudiou esse pensamento assim que ela percebeu que o guerreiro a olhava fixamente.
- Não quero uma guerra, e espero que você também não queira. - Disse o guerreiro tão perto de Drakonisch quanto Heilige, quase como se não o temesse.
Drakonisch olhou para aquele rosto inexpressivo e sentiu vontade de vomitar. Já ouvira aquela frase de muitos pretendentes de sua filha que invadiram seu palácio com desculpas esfarrapadas para consumarem um tratado de paz com a mão de Heilige como garantia. Sem chance de deixar sua filha com este crápula.
- Mas é oque você encontrou!
Com um poderoso chute ele lançou o guerreiro a metros até que ele caiu de costas no chão e continuou em tragetoria pelo piso liso de mármore até ir diminuindo de velocidade e parar. O guerreiro se sentou ainda inexpressivo e fez uma cara de tédio quando viu que seu oponente não estava mais onde devia estar. Só encontrou Heilige o olhando surpresa com seu bidente incompleto em mãos. Ele estende a mão para ele e o mesmo dispara em sua direção, e como Heilige o segurava não deu tempo de sequer pensar em soltar, quando viu já estava nos braços do guerreiro. Foi então que um grito de puro ódio veio de cima e uma flecha de luz azul de quase dois metros caiu entre os dois com uma força expulsiva lançando um para cada lado. Drakonisch cai no mesmo lugar da flecha e lança uma sequência de outras flexas de luz, dessa vez da cor vermelha e acertam todas no guerreiro prendendo-o contra a parede.
-Parece que o jogo virou não é mesmo?
O mesmo sangue dolrado de antes agora escorria abundante pelo corpo do guerreiro.
-Por que seu sangue é deste geito!?
-Fico surpreso de você me perguntar isso. - Diz o guerreiro incrivelmente entediado.
-E por que?
-Fico surpreso por alguém não saber que Ikor é dourado.
Naquele instante o medo de Drakonisch se cocretizou. Ele sabia como Yggdrasil havia nascido no reino daquele forasteiro. E isso era um péssimo presságio. Ele não era um pretendente asqueroso de sua filha. Não era um invasor com sede de terras. Era uma vítima do destino.
Drakonisch abaixou seu arco e olhou com pena para o forasteiro.
-Não sei se você sabe mas... Você é um arauto, guerreiro negro.
-É? De quem?
-Não espero que entenda, você não pertence a este mundo, você não sabe oque está fazendo aqui, você é nada mais, nada menos que uma ferramenta da grande profecia oculta.
-Já me cansei... -Diz o guerreiro ainda inexpressivo.
Drakonisch sabia que ele iria se soltar em seguida. Não iria mais subestimar aquele guerreiro, já que ele não sabia nada sobre sua raça mas sabia que não havia ninguém sequer em toda a extensão de Yggdrasil que soubesse. A não ser é claro os de sua raça que provavelmente aguardavam um comando de seu rei para invadir Svartalfheim. Um comando que nunca chegaria.
- Adeus guerreiro.
Com o punho cerrado ele aponta para o guerreiro, e ao abrir bem a mão e fecha - la novamente girando o punho, um movimento que Heilige reconheceu imediatamente, o guerreiro foi lançado em um portal espiralado que o engoliu e se fechou em seguida.
-Heilige... Acorde sua mãe, vamos evacuar toda a Svartalfheim.
- Entendo... Vai começar...
- Sim. Vou a Asgard, Vidar precisa iniciar os preparativos.
Drakonisch mal terminou sua frase e Yggdrasil já comessava a anunciar um novo visitante inesperado. Vendo a expressão tensa e a postura rígida de seu pai, Heilige o abraça e os dois aguardam que o visitante se materialize. Eis que ele surge. Poderia ser dito como um jovem elfo negro sem dúvida. Cabelos e pele de marfim e olhos num vermelho escarlate sentilante que se assemelhavam ao olhos carmesim de um elfo negro experiente e poderoso. Mas com aquelas asas negras e enormes se projetando de suas costas seria meio difícil. Sua expressão não era nem um pouco amistosa. Ele montava um cavalo negro enorme com olhos e patas em chamas, trajava uma mortalha negra e brandava uma foice com cabo de aço negro maior que o próprio dono e uma lâmina cuja curvatura podia atravessar o tronco de um carvalho de 300 anos facilmente.
Drakonisch entende que outra batalha seria péssimo. Ele acabou de sair de uma e está esgotado, então recorre a boa e velha diplomacia.
Batendo seu arco no chão o mesmo se transforma em um cetro que mais parece um braço de dragão segurando uma esfera de cristal vermelha.- Apresente-se, nobre estrangeiro.
Batendo o longo cabo de sua foice no chão com mais força e abrindo rapidamente suas asas o máximo possível, fazendo algumas penas se desprenderem, o jovem cavaleiro exclama com uma voz seca e roca. -Eu sou Thanatos, o coletor de almas.
- Pois bem Thanatos. O convido para passar esta noite em meu castelo, onde é bem vindo. - Diz Drakonisch com reverência.
- Você aceita qualquer um que apareça no seu castelo dessa forma?
-Não. Mas vejo que você não é menos que um general, feiticeiro poderoso ou algo acima disso. Não sei quais suas intenções mas pretendo recebê - lo bem para que não tenha motivos para ter más intenções.
- Não se preocupe. -Diz Thanatos descendo de seu cavalo. - Não procuro briga com reis gentis como você. - Diz o ceifador com desdém.
- Fico lisonjeado. Só notificando-o, sou conhecido como Imperador. Imperador Drakonisch o Quinto.
- Pois bem Imperador Drakonisch... O quinto... Apresente -me o castelo. Vamos conversar e vai tirar minhas dúvidas de onde estou e como vim parar aqui. -
Disse Thanatos cordialmente.
Enquanto Drakonisch conversava com Thanatos, Heilige temia pela segurança de Svartalfheim, já que Ratatosk, o mensageiro de Yggdrasil, parece não estar disposto a barrar ninguém. Derrepente é tirada de seus pensamento ao ouvir seu nome.
-Esta é minha filha, princesa e conselheira, Heilige.
Ela encara Thanatos tentando ler seu coração. Ela o encara olhando o mais profundamente em seus olhos tentando usar sua habilidade. Mas assim como já havia testado com o guerreiro negro antes, com Thanatos também não obteve melhor resultado. Ou melhor dizendo. Não obteve resultado.
- Você tem um olhar muito forte, joven dama. - Diz Thanatos que caminha até Heilige e pega sua mão delicada e carinhosamente, e deposita um cordeal beijo nela, acariciando com o polegar o local em seguida.
- Herdei de meu pai.
- Certamente que sim. Muito se espera que também tenha herdado a honratesa dele também.
- Sem dúvida que sim... -Heilige já sabia que este seria o começo de uma série de cantadas e encerradas enfadonhas.
- Heilige. Preciso que avise o velho Vidal no meu lugar. Preciso ficar e recepcionar nosso convidado.
- Como desejar meu pai.
Heilige puxa sua mão da de Thanatos e com a mesma sacudindo-a no ar ela faz aparecer um cajado pouco menor que ela mesma com uma pedra de cristal grande e azul na ponta. Mais uma vez, ele parece mais um braço de dragão segurando uma pedra, só que dessa vez três vezes maior que o de Drakonisch, acabando por parecer também, um galho de árvore. O que não era de tudo somente aparência, era mesmo algum tipo de galho retorcido e ao mesmo tempo, reto.
Ela monta em seu cajado e começa a levitar, levantando vôo.
-Volto ao amanhecer.
Drakonisch agita seu cetro e uma pedra cristalina reluzente emerge do piso como se o mesmo fosse água. E então ele a toca e toda a Yggdrasil começa a reluzir e a relanpiar com sons de trovão.
Heilige então decola em alta velocidade para Yggdrasil e é acertada por múltiplos raios que a fazem sumir em pleno ar.
-Não precisei deste cristal para me teleportar. -Diz Thanatos distraído, de forma casual olhando a estrutura do local, chamando a atenção de Drakonisch para mais perguntas que surgem em sua mente sem cessar.
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Já nas planícies verdejantes de Asgard, Heilige voa rapidamente rasgando os céus azuis acima de fazendas e vilarejos como um raio pálido de rastro luminoso igualmente azul. Quase não se podia vê-lo, mas não éra de todo invisivel. Ela se forçava para manter os olhos abertos o máximo que podia com tanta luz do sol. Já que em Svartalfheim era sempre noite. (Tenho de ir rápido. Não posso deixar aquele homem no meu castelo por muito mais tempo.) Pensava ela em todo o percurso. Mas eis que em um pedaço de sua noite em Svartalfheim que a havia surpreendido muito, agora neste dia em Asgard ela percebe que as surpresas não parariam. Ela avista uma pequena aldeia em chamas e resolve ao menos ajuda-los por um segundinho e depois voltar para seu caminho. Ao sobrevoar a aldeia oque ela encontra é um garoto alado com asas de morcego portando chifres brotando na cabeça e sendo atacado pela população inteira. Uma de suas asas se estendia para baixo como se algo de muito errado e aparentemente doloroso tivesse deslocado cada um de seus ossos. Ela então, sobrevoa o garoto na mesma velocidade que o mesmo.
- Hey, garoto! - O mesmo olha para cima com uma expressão de dor e desespero e segura a mão de Heilige. Que o carrega céu acima até os moradores não os verem mais. E então descem em uma área um pouco longe do vilarejo. Heilige o põe no chão e em seguida se senta de lado em seu cajado ficando sempre acima e fora do alcance do garoto. Que ao invés de agradecer ficou tentando consertar suas asas fazendo uma cara de dor sempre que tentava.
- Ei moleque!
- Me polpe, por que me ajudou? - Diz o garoto com arrogância e dor.
- Vê-se logo que gratidão não é uma de suas virtudes. Me diz o porquê deles quererem sua cabeça numa bandeja que eu repenso minha recente vontade de te levar devolta. O garoto recua rastejando e a encarando com descrença e dúvida, abaixa o olhar pensando e então começa a falar.
- Eu estava indo entregar uma mensagem em Urik para o rei, mas eis que acho essa árvore no deserto e quando fui ver o que era, saiu um cristal de dentro dela. A essa altura Heilige nem estava mais surpresa. Ela já percebeu que isso se tornaria comum daqui em diante.
-E aí você tocou a pedra?
- Err... É... de fato... Então a árvore começou a relampiar e quando me aproximei, um raio me acertou e aqui estou.
- Impressionante... Você é um mensageiro? Posso perguntar que tipo de mensagem você leva?
- Uma notificação de busca. Para o rei.
- Okay, depois le ajudo com sua mensagem. Agora preciso que venha comigo se não quiser criar mais problemas.
- Sinto muito moça estranha. Não posso me desviar do meu caminho.
- Sinto muito garoto demônio, mas você não está mais no seu mundo, nao conheço nenhuma cidade, em nenhum mundo, chamada Urik. E sem mim você não vai voltar pra ele.
O jovem demônio de cabelos negros e espetados não demorou muito a aceitar. Desde que nasceu só viu deserto. Grama em pequenos oásis mas nunca em tanta quantidade como naquelas planícies. Nem sabia oque era uma. Para ele foi fácil acreditar que estava em outro mundo.
- Não vou subir nesse seu cajado...
- Não mesmo.
Heilige trassa uma linha vertical luminosa de cima para baixo com seu cajado sem descer do mesmo, após isso uma pequena linha reta subindo na diagonal direita, depois outra para a esquerda até encostar na metade da vertical e novamente, pequena diagonal a direita depois esquerda até fechar com a ponta de cima da vertical. Ela flutua um pouco para longe do símbolo luminoso azul que começava a fazer um chiado elétrico com um assobio estranho e a reluzir mais.
- Berkano! - E golpeando o símbolo ele vira uma bola de luz que acerta violentamente a asa do jovem demônio em uma explosão de luz cegante.
Ao dissipar do clarão, um novo lugar.
Havia muitas flores brancas.
Tão brancas que quase brilhavam.
Era um corredor em um enorme jardim. Com ladrilhos das mais variadas cores, tamanhos e formas.
Ao se olhar para cima podia-se ver que estava dentro de uma construção enorme com lindas estátuas de Elfos Druidas e fadas para todos os cantos.Caminhando pelo corredor a visão era preenchida por uma bela visão de rosas vermelhas, azuis e... negras.
Para cada conjunto de duas azuis com duas vermelhas podia-se perceber que havia cerca de oito rosas negras circundando o conjunto. Mas também haviam árvores frondosas, muitas delas, de muitas alturas e troncos em curvas diferentes.
E ao final do corredor via-se crianças brincando. Eram crianças elfas, e pelos seus cabelos que iam de tons de prata até o branco de uma nuvem cúmulos, peles alvas como a neve e a parte dos olhos que para os humanos seriam brancas, para estas crianças eram escurecidas em um tom de cinza tempestuoso, podia-se perceber que eram elfos negros.
Uma pequena elfa de cabelos curtos pouco acima dos ombros com uma pequena e charmosa pinta no canto direito de seus olhos azuis gelo contrastando magníficamente com um fundo cinza de seus olhos de elfa negra. Ou de "Bruxa", como os humanos gostavam de chamar as elfas negras, em contrapartida de suas primas de luz, que eram chamadas de "Fadas".
-Oi Zane! Pensei que não viria mais. Estamos brincando de contar histórias misteriosas. Espero que tenha uma para contar.
Outro se aproximou, dessa vez um garotinho de cabelo eriçado e bem bagunçado.
- Olha se não é o espírito do jardim, senta aí que já vou contar uma das boas.
- O Van sempre conta ótimas histórias!
Dizia a garotinha de cabelo curto para as outras duas crianças Uma tinha longos cabelos cor de prata e o outro, cabelos curtos ondulados igualmente prateados, que concordaram com a garotinha com pinta.
Todos se sentaram em rodinha incluindo a entidade, que nada mais era que a projeção astral de um pequeno elfo de cabelos negros ondulados e olhos com íris na cor do vermelho mais intenso que conseguir imaginar. Mas ainda acho que é uma visão inconcebível.
Ele era muito diferente de todos naquela rodinha, assim como seu cabelo. Trajava um pijama vermelho escuro e parecia não gostar de falar muito.
- Um belo dia o deus Freir estava aproveitando que o Pai de Todos, Odin, havia saído em uma de suas famosas andanças, para usar seu trono mágico Hlidskialf, onde ao se sentar podia - se ver tudo que se passa nos nove mundos da Yggdrasil. E ele avistou uma bela jovem no mundo de Jotunheim. Uma princesa filha de um rei rival do Pai de Todos.
A joven de cabelos curtos se mantinha vidrada em Van, e o pequeno elfo astral estava vidrado nela.
- Ele já se via perdidamente apaixonado por ela mas, como ir até ela era um problema para um deus de Asgard, ele tinha de arranjar um meio de pedir sua mão em casamento sem que houvesse um conflito em sua chegada. A menos que...
Todos pareceram se curvar perante a gesticulação de mistério das mãos de Van e sua expressão enigmática.
- Se ele mandasse alguém em seu lugar, um arauto do amor. Mas que asgardiano teria coragem de ir em uma missão dessas nas terras de Jotunheim!? E então seu servo fiel, Skirnir, se aproxima e diz -"Olá meu mestre, a quem se deve a honra deste seu largo sorriso de orelha-a-orelha?"- E então o sorriso de Freyr conseguiu ser maior ainda. -"Skirnir! Meu bom e velho servo. Preciso que vá a Jotunheim pedir a mão de uma bela jovem em meu nome!"- O jovem se gelou dos pés à cabeça, mas Freyr lhe ofereceu sua espada mágica que combate contra inimigos ferozmente e sosinha, um simples comando de seu espadachim já era o suficiente para ela desencadear uma chacina. Com essa bela espada ele foi todo confiante até o castelo da bela princesa e depois de alguns combates e maus entendidos ele acabou por convencer a princesa a vir com ele usando sua astúcia asgardiana. Mas em meio a luta de volta, a espada que Skirnir pensou estar o acompanhando se perdeu...
Van fazia vozes diferentes, com tons e velocidades diferentes com muita empolgação. Todos faziam uma cara de espanto perante o suspense que, até mesmo Van mostrou uma expressão espantada. Como se a espada fosse dele mesmo. A joven elfa com pinta estava atonita e o pequeno elfo astral entediado.
- Por mais que Skirnir a chamasse de volta ela jamais retornou. E foi assim que Freyr ganhou uma belíssima esposa porém perdeu sua espada.
A jovem de cabelos longos prateados indignada precisou perguntar.
- Mas que fim teve a espada dele?
A jovem de cabelos curtos com pinta sorriu divertida.
- Ninguém sabe. Esta aí o mistério, Viss. - Disse ela dando de ombros pra amiga.
- Mas Yggdra, em algum lugar ela deve estar!
-Sim, mas ninguém sabe. Aí está o mistério. Ótima história Van. - Disse dando tapinhas nas costas de Van.
O pequeno elfo astral sentiu uma leve pontada de ciúmes.
- Agora é minha vez... - Disse ele com uma voz infantil e profunda ao mesmo tempo. E todos pararam para ouvir, sem dizer um comentário sequer. Afinal... era o espírito do jardim cedendo uma história a eles, e isso... era simplesmente mágico.
Ele estendeu as mãos paralelamente e uma esfera de luz surge entre elas. Ele as afasta e a esfera vira uma cúpula luminosa, e imagens começam a surgir na mesma.
Primeiro um rei sentado em seu trono ao lado de sua rainha com um trono menor a sua direita, junto a uma garotinha de em média dez anos de idade em um trono menor a sua esquerda.
- Essa é a história de um rei muito gentil chamado Acrísio... Que se deixou levar pela ganância de seu posto. Era um rei que não tinha herdeiros masculinos, e isso causava a desmoralização de seu reinado.
A imagem muda para o rei brigando com sua rainha em seus aposentos. Todos estavam vidrados e admirados.
- Sua rainha não lhe dava mais filhos e nem permitia que seu rei tivesse com outras, então ele resolveu consultar o oráculo de Delfos. O mais certo dos oráculos.
Toda aquela história ia se passando na esfera e todos ficavam cada vez mais vidrados, incluindo Yggdra. Porém, Van, que nunca se deu bem com o elfo astral não estava tão entretido assim.
- Por fim o oráculo lhe disse que o único herdeiro homem que viria para ele seria de sua filha Danai, porém, que este mesmo o mataria algum dia.
Todos quase se projetavam para dentro da esfera na expectativa. Mas Van começava a fazer uma expressão estranha de desconfiança.
- O rei Acrísio se tornou um homem avarento e desconfiado, mandando trancar sua filha em uma torre de bronze sem nenhuma janela, somente chaminés para a ventilação, e decretou que nenhum homem deveria se aproximar da torre sob pena de morte. Mas com o passar dos anos Danai cresceu e se tornou uma jovem deslumbrante.
A imagem da princesa Danai fez os olhos de Viss e Yggdra brilharem de admiração.
- É claro que essa beleza chamou a atenção de alguém. E ninguém menos que o deus dos raios, relâmpagos e trovões. O mesmo assim que a viu se pegou perdidamente apaixonado, e então, metamorfoseado em uma chuva de ouro adentrou a torre pela chaminé, e por estar confinada a tanto tempo e em seu auge da fertilidade a princesa Danai logo se sentiu entregue ao deus. E nada menos que um semi-deus começou a ser gerado na barriga de Danai a partir daquele dia.
Van já certo do que falar assim que o elfo se calasse, nem dava mais muita bola, a medida que todos nem piscavam mais.
- As empregadas mantiveram segredo quanto a gravidez da jovem princesa, mas isso não poderia ser ocultado por muito mais tempo. Em uma noite silenciosa Danai sofria com gritos contidos de suas dores de parto. Assim que o pequeno bastardo dos deuses nasceu, seu choro vigoroso se fez ecoar por toda a estrutura de bronze da torre, e pôde ser ouvido por boa parte do reino, incluindo o rei, que sentiu a morte lhe abraçar friamente no mesmo instante. Mal pisou os pés descalços no mármore do castelo já berrava aos quatro ventos para seus guardas lhe trazerem Danai e quem quer que estivesse com ela. Ele ordenou que a trancafiassem em um enorme baú e que junto ao pequeno jogassem-na no mar revolto...
- Ah! Já basta!
Todos piscaram, como que saindo de um transe e em seguida voltaram-se para Van, que não parecia muito contente.
- Em primeiro lugar, a princesa se chama Ethlin, o rei se chama Balor, e o deus a que você se refere é Cian, e não Thor.
- Em nenhum momento citei o nome Thor. -Defendeu-se o pequeno elfo astral.
-Que seja. Cian também não é Deus do trovão. E em segundo lugar, a torre era de vidro, e não bronze.
- Essa foi a história passada a mim por minha tia.
- Sua tia é muito burra de achar...
Van sequer terminou a frase, um pulso de energia o lançou pelo corredor do jardim até ralar as costas inteiramente.
- Zane! Não precisava disso! - Exclamou Yggdra correndo para socorrer Van que estava chorando encolhido no chão.
- Ele ofendeu a mulher que me criou. Ele merecia mais. -Disse o elfo astral friamente.
- Mas você não precisava disso Zane... - Disse Viss se aproximando e olhando para Van no chão. - Você machucou mesmo o Van. Também não gosto dele, mas isso foi errado.
- Por que Yggdra protege tanto ele? - Pergunta Zane com um tom de ciúmes na voz.
- O que? Há há! Ela protege a todos. É que você e Van sempre brigam de graça, aí ela sempre acaba protegendo muito você ou ele. Hoje você passou mesmo dos limites Zin. - Diz Viss simulando um carinho no cabelo de Zane. Já que nada podia tocá-lo nesta forma.
- Tanto faz. Já disse para não me chamar assim.
Zane da meia volta e começa a andar pelo labirinto de paredes altas de rosas.
- Zi... Por ... avor ...orde! ....Uma voz feminina estava dizendo algo. Talvez até gritando.
- Zi! Por favor, acorde!
Era uma doce voz feminina muito familiar.
Nosso pequeno estava acordando de um sonho recorrente e se deparando aos poucos com uma linda moça de cabelos cor de mel bem claros, olhos esmeraldinos e lábios extremamente vermelhos, com suas finas e delicadas orelhas de elfa da floresta se agitando de preocupação.
Assim que viu os olhos de Zane abrindo e ele fechando sua carranca de mal humor matinal ela abriu seu sorriso.
-Bom dia Zi! Mais um sonho recorrente?
- Drilvan...
- Berkano! - E golpeando o símbolo ele vira uma bola de luz que acerta violentamente a asa do jovem demônio em uma explosão de luz cegante.
Ao dissipar do clarão, um novo lugar.
Havia muitas flores brancas.
Tão brancas que quase brilhavam.
Era um corredor em um enorme jardim. Com ladrilhos das mais variadas cores, tamanhos e formas.
Ao se olhar para cima podia-se ver que estava dentro de uma construção enorme com lindas estátuas de Elfos Druidas e fadas para todos os cantos.Caminhando pelo corredor a visão era preenchida por uma bela visão de rosas vermelhas, azuis e... negras.
Para cada conjunto de duas azuis com duas vermelhas podia-se perceber que havia cerca de oito rosas negras circundando o conjunto. Mas também haviam árvores frondosas, muitas delas, de muitas alturas e troncos em curvas diferentes.
E ao final do corredor via-se crianças brincando. Eram crianças elfas, e pelos seus cabelos que iam de tons de prata até o branco de uma nuvem cúmulos, peles alvas como a neve e a parte dos olhos que para os humanos seriam brancas, para estas crianças eram escurecidas em um tom de cinza tempestuoso, podia-se perceber que eram elfos negros.
Uma pequena elfa de cabelos curtos pouco acima dos ombros com uma pequena e charmosa pinta no canto direito de seus olhos azuis gelo contrastando magníficamente com um fundo cinza de seus olhos de elfa negra. Ou de "Bruxa", como os humanos gostavam de chamar as elfas negras, em contrapartida de suas primas de luz, que eram chamadas de "Fadas".
-Oi Zane! Pensei que não viria mais. Estamos brincando de contar histórias misteriosas. Espero que tenha uma para contar.
Outro se aproximou, dessa vez um garotinho de cabelo eriçado e bem bagunçado.
- Olha se não é o espírito do jardim, senta aí que já vou contar uma das boas.
- O Van sempre conta ótimas histórias!
Dizia a garotinha de cabelo curto para as outras duas crianças Uma tinha longos cabelos cor de prata e o outro, cabelos curtos ondulados igualmente prateados, que concordaram com a garotinha com pinta.
Todos se sentaram em rodinha incluindo a entidade, que nada mais era que a projeção astral de um pequeno elfo de cabelos negros ondulados e olhos com íris na cor do vermelho mais intenso que conseguir imaginar. Mas ainda acho que é uma visão inconcebível.
Ele era muito diferente de todos naquela rodinha, assim como seu cabelo. Trajava um pijama vermelho escuro e parecia não gostar de falar muito.
- Um belo dia o deus Freir estava aproveitando que o Pai de Todos, Odin, havia saído em uma de suas famosas andanças, para usar seu trono mágico Hlidskialf, onde ao se sentar podia - se ver tudo que se passa nos nove mundos da Yggdrasil. E ele avistou uma bela jovem no mundo de Jotunheim. Uma princesa filha de um rei rival do Pai de Todos.
A joven de cabelos curtos se mantinha vidrada em Van, e o pequeno elfo astral estava vidrado nela.
- Ele já se via perdidamente apaixonado por ela mas, como ir até ela era um problema para um deus de Asgard, ele tinha de arranjar um meio de pedir sua mão em casamento sem que houvesse um conflito em sua chegada. A menos que...
Todos pareceram se curvar perante a gesticulação de mistério das mãos de Van e sua expressão enigmática.
- Se ele mandasse alguém em seu lugar, um arauto do amor. Mas que asgardiano teria coragem de ir em uma missão dessas nas terras de Jotunheim!? E então seu servo fiel, Skirnir, se aproxima e diz -"Olá meu mestre, a quem se deve a honra deste seu largo sorriso de orelha-a-orelha?"- E então o sorriso de Freyr conseguiu ser maior ainda. -"Skirnir! Meu bom e velho servo. Preciso que vá a Jotunheim pedir a mão de uma bela jovem em meu nome!"- O jovem se gelou dos pés à cabeça, mas Freyr lhe ofereceu sua espada mágica que combate contra inimigos ferozmente e sosinha, um simples comando de seu espadachim já era o suficiente para ela desencadear uma chacina. Com essa bela espada ele foi todo confiante até o castelo da bela princesa e depois de alguns combates e maus entendidos ele acabou por convencer a princesa a vir com ele usando sua astúcia asgardiana. Mas em meio a luta de volta, a espada que Skirnir pensou estar o acompanhando se perdeu...
Van fazia vozes diferentes, com tons e velocidades diferentes com muita empolgação. Todos faziam uma cara de espanto perante o suspense que, até mesmo Van mostrou uma expressão espantada. Como se a espada fosse dele mesmo. A joven elfa com pinta estava atonita e o pequeno elfo astral entediado.
- Por mais que Skirnir a chamasse de volta ela jamais retornou. E foi assim que Freyr ganhou uma belíssima esposa porém perdeu sua espada.
A jovem de cabelos longos prateados indignada precisou perguntar.
- Mas que fim teve a espada dele?
A jovem de cabelos curtos com pinta sorriu divertida.
- Ninguém sabe. Esta aí o mistério, Viss. - Disse ela dando de ombros pra amiga.
- Mas Yggdra, em algum lugar ela deve estar!
-Sim, mas ninguém sabe. Aí está o mistério. Ótima história Van. - Disse dando tapinhas nas costas de Van.
O pequeno elfo astral sentiu uma leve pontada de ciúmes.
- Agora é minha vez... - Disse ele com uma voz infantil e profunda ao mesmo tempo. E todos pararam para ouvir, sem dizer um comentário sequer. Afinal... era o espírito do jardim cedendo uma história a eles, e isso... era simplesmente mágico.
Ele estendeu as mãos paralelamente e uma esfera de luz surge entre elas. Ele as afasta e a esfera vira uma cúpula luminosa, e imagens começam a surgir na mesma.
Primeiro um rei sentado em seu trono ao lado de sua rainha com um trono menor a sua direita, junto a uma garotinha de em média dez anos de idade em um trono menor a sua esquerda.
- Essa é a história de um rei muito gentil chamado Acrísio... Que se deixou levar pela ganância de seu posto. Era um rei que não tinha herdeiros masculinos, e isso causava a desmoralização de seu reinado.
A imagem muda para o rei brigando com sua rainha em seus aposentos. Todos estavam vidrados e admirados.
- Sua rainha não lhe dava mais filhos e nem permitia que seu rei tivesse com outras, então ele resolveu consultar o oráculo de Delfos. O mais certo dos oráculos.
Toda aquela história ia se passando na esfera e todos ficavam cada vez mais vidrados, incluindo Yggdra. Porém, Van, que nunca se deu bem com o elfo astral não estava tão entretido assim.
- Por fim o oráculo lhe disse que o único herdeiro homem que viria para ele seria de sua filha Danai, porém, que este mesmo o mataria algum dia.
Todos quase se projetavam para dentro da esfera na expectativa. Mas Van começava a fazer uma expressão estranha de desconfiança.
- O rei Acrísio se tornou um homem avarento e desconfiado, mandando trancar sua filha em uma torre de bronze sem nenhuma janela, somente chaminés para a ventilação, e decretou que nenhum homem deveria se aproximar da torre sob pena de morte. Mas com o passar dos anos Danai cresceu e se tornou uma jovem deslumbrante.
A imagem da princesa Danai fez os olhos de Viss e Yggdra brilharem de admiração.
- É claro que essa beleza chamou a atenção de alguém. E ninguém menos que o deus dos raios, relâmpagos e trovões. O mesmo assim que a viu se pegou perdidamente apaixonado, e então, metamorfoseado em uma chuva de ouro adentrou a torre pela chaminé, e por estar confinada a tanto tempo e em seu auge da fertilidade a princesa Danai logo se sentiu entregue ao deus. E nada menos que um semi-deus começou a ser gerado na barriga de Danai a partir daquele dia.
Van já certo do que falar assim que o elfo se calasse, nem dava mais muita bola, a medida que todos nem piscavam mais.
- As empregadas mantiveram segredo quanto a gravidez da jovem princesa, mas isso não poderia ser ocultado por muito mais tempo. Em uma noite silenciosa Danai sofria com gritos contidos de suas dores de parto. Assim que o pequeno bastardo dos deuses nasceu, seu choro vigoroso se fez ecoar por toda a estrutura de bronze da torre, e pôde ser ouvido por boa parte do reino, incluindo o rei, que sentiu a morte lhe abraçar friamente no mesmo instante. Mal pisou os pés descalços no mármore do castelo já berrava aos quatro ventos para seus guardas lhe trazerem Danai e quem quer que estivesse com ela. Ele ordenou que a trancafiassem em um enorme baú e que junto ao pequeno jogassem-na no mar revolto...
- Ah! Já basta!
Todos piscaram, como que saindo de um transe e em seguida voltaram-se para Van, que não parecia muito contente.
- Em primeiro lugar, a princesa se chama Ethlin, o rei se chama Balor, e o deus a que você se refere é Cian, e não Thor.
- Em nenhum momento citei o nome Thor. -Defendeu-se o pequeno elfo astral.
-Que seja. Cian também não é Deus do trovão. E em segundo lugar, a torre era de vidro, e não bronze.
- Essa foi a história passada a mim por minha tia.
- Sua tia é muito burra de achar...
Van sequer terminou a frase, um pulso de energia o lançou pelo corredor do jardim até ralar as costas inteiramente.
- Zane! Não precisava disso! - Exclamou Yggdra correndo para socorrer Van que estava chorando encolhido no chão.
- Ele ofendeu a mulher que me criou. Ele merecia mais. -Disse o elfo astral friamente.
- Mas você não precisava disso Zane... - Disse Viss se aproximando e olhando para Van no chão. - Você machucou mesmo o Van. Também não gosto dele, mas isso foi errado.
- Por que Yggdra protege tanto ele? - Pergunta Zane com um tom de ciúmes na voz.
- O que? Há há! Ela protege a todos. É que você e Van sempre brigam de graça, aí ela sempre acaba protegendo muito você ou ele. Hoje você passou mesmo dos limites Zin. - Diz Viss simulando um carinho no cabelo de Zane. Já que nada podia tocá-lo nesta forma.
- Tanto faz. Já disse para não me chamar assim.
Zane da meia volta e começa a andar pelo labirinto de paredes altas de rosas.
- Zi... Por ... avor ...orde! ....Uma voz feminina estava dizendo algo. Talvez até gritando.
- Zi! Por favor, acorde!
Era uma doce voz feminina muito familiar.
Nosso pequeno estava acordando de um sonho recorrente e se deparando aos poucos com uma linda moça de cabelos cor de mel bem claros, olhos esmeraldinos e lábios extremamente vermelhos, com suas finas e delicadas orelhas de elfa da floresta se agitando de preocupação.
Assim que viu os olhos de Zane abrindo e ele fechando sua carranca de mal humor matinal ela abriu seu sorriso.
-Bom dia Zi! Mais um sonho recorrente?
- Drilvan...

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